Monday, February 27, 2006

Até hoje não conhecia o stress de que falavam os meus pais. Stress eu conheço desde a infância : o medo da boneca Xuxa ou do monstro do armário; quando imaginava a reação da mãe quando chegasse e visse o banheiro transformado em estação de esqui com o sabão em pó ; quando chegava o domingo à noite e a tarefa não estava pronta. Aliás, a lista dos motivos de stress relacionados à escola é gigante : será que o professor vai me chamar para resolver aquele problema na lousa ? será que o pessoal não vai rir dessa roupa que minha mãe escolheu ? será que o professor vai engolir aquela embromation society que foi a prova de Filosofia?

Na faculdade, o stress começou a se definir : era uma eterna corrida contra o tempo. 18 professores pedem 28 trabalhos para daqui a uma semana. Greve dos professores. Greve dos transportes em dia de prova. Noites em claro preparando monografia, me sentindo o próprio Sísifo : quando achava que a dita cuja estava pronta, lá ia ela rolando ribanceira abaixo. E o abutre do prazo ali, inexorável, chegando cada vez mais perto. Um dia desabafei com meu pai, xingando a faculdade, a vida acadêmica em geral e os professores em particular, jurando de pés juntos que nunca mais poria meus pezinhos numa faculdade. Ouvi um « daqui a uns tempos você vai sentir saudades dessa época ». Humpft, pensei eu. A correria da vida acadêmica deve ser igual à dor do parto. A pessoa deve esquecer, pra querer entrar numa dessas de novo e até sentir saudade. Bom mesmo deve ser chegar em casa depois do trabalho e não ter mais NADA pra fazer, nem monografia, nem estudar pra prova, nem passar sábado e domingo fazendo fila para entrar na biblioteca.

Monografia entregue, diploma na mão, começa a vida ativa. Não aquela vida de escragiário ou de bicos. Tive a sorte de ser contratada para fazer exatamente o que está escrito na descrição da minha pós-graduação. E foi aí que o verdadeiro STRESS mostrou as garras. Comecei feliz e empolgada com tantas responsabilidades; alguns meses depois, eis-me trabalhando muito mais do que o que está estipulado no contrato, com dores nas costas e o maxilar travado de tensão. O trabalho, os colegas, os clientes, a burocracia, tudo pode trazer problemas. E quando chega em casa, não tem mesmo mais nada pra fazer, mas quem disse que o trabalho ficou, obediente, lá no escritório ? Ficou nada ! está ali, te assombrando na cama, porque você está tão exausta que não consegue fazer nada do que você jurou que ia fazer depois da faculdade: ir pra academia, escrever, pintar, sair com os amigos... só pensa em trabalho, só fala em trabalho, e acaba descarregando as frustrações em cima de innocent bystanders. E eu nem recebo hora extra por todo esse stress noturno!

Não estou cuspindo no prato. Gosto muito do que faço e sei que tenho sorte, que tem gente trabalhando em coisas realmente medonhas e recebendo muito menos. O que eu quero dizer é que agora entendo muito melhor meus pais, que ficavam um tempão falando de trabalho depois de chegarem em casa. E meu pai tinha razão, ainda não se passaram 6 meses e já estou com saudades da vida de estudante.

Hoje à noite, quando chegar em casa, vou pegar a caixa de Omo e o banheiro vai virar Courchevel, e vou botar o gato pra esquiar.

8 comments:

Celinho said...

:-****

fal said...

beibe, es fueda

Nina Barki said...

Ai, nem me fala!
E vc já passou pelo stress da pós... eu ainda não. *medão*

Oh god... Será q eu tb já estou com saudades da faculdade? It can't be true.

Mas... coragem, amiga! Seguiremos em frente com nossos stresses, empregos, chefes e exaustão (quem disse q feriado serve pra descansar não tem vida social - é justamente nessas épocas q vc resolve make it up to your friends, e acaba ficando na rua até às 5h da manhã - maldição!)!

Beijos enormes!

Milady Carol said...

Celinho: :-* :-* pra você também, menino!

Fal: uai, que honra! fiquei me sentindo como a pessoa que recebe uma visita ilustre e a casa está toda bagunçada, calcinha pendurada no banheiro, louça suja de macarrão na pia... pero si, es deberas fueda!! beijos pra ti!

Nina: Stress da pós é um domingo no parque, com borboletas e passarinhos pipilando. Stress ruim MESMO é a porcaria do trabalho não ficar pronto na hora, com o chefe bufando na sua nuca. But you know about that. E quem disse que eu tenho vida social? ahahahah!
Zillions of kisses to you!

Celinho said...

Chefe bufando na nuca? Hmpft.. =D

Milady Carol said...

Celinho: AHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAAH!!!!!!!!!!!!!

Nina Barki said...

Adorei o comentário do Celinho. Ele e o FX deveriam se conhecer!
Ué, acontece do chefe bufar na sua nuca! E nem sempre nós estamos de decote, viu? hehehehe
Beijão!

Mouni said...

Adorei, amei a retrospectiva! E escragiario é D+, ainda não tinha ouvido.

Hope you'll have a break to come to London!