Citação do magavilhoso Hugh Laurie tirada do IMDB:
[on what he misses about England] The buildings and the cruelty. They're very harsh people, the British: hard to impress, very tough on each other, but I rather like that. It's not that the British are more honest - you're just under no illusion with them. L.A. runs on optimism, enthusiasm and flattery. I think you can go a little bit crazy. I've heard people say there's a limit to the number of years you can stay in this city without going slightly mad. It's just too damn sunny in every dimension - weather-wise, socially and professionally.
O que ele diz sobre os ingleses e Los Angeles é bem parecido com o que eu penso sobre os franceses e o Brasil. Na França você é criado desde pequenininho na base da crítica (construtiva ou não) , da paulada moral e do elogio dissimulado. Por exemplo, quando eu estava na escola, muitos, senão todos os professores não davam nota máxima, porque diziam que a perfeição não existe. Claro, você podia tirar nota máxima num ditado ou em exercícios de matemática, porque não tem nada subjetivo: você sabe escrever tal palavra ou não sabe, a resposta do exercício está certa ou não está. Mas numa redação, numa dissertação de história, numa prova de geografia, 20 era coisa raríssima. Um bom resultado é muitas vezes saudado com um "pas mal!" ou, mais enfaticamente, com um "pas mal du tout!". Estranhei bastante as provas na aula de inglês, nas quais os professores brasileiros colocavam desenhos de sorrisos, sóis e estrelinhas, e montes de "muito bom!". Eu era boa aluna, até bem nerd, e mesmo assim um "excelente" era coisa muito rara nas minhas provas. Não é raro a nota mais alta de uma turma ser um 14/20.
Os críticos de arte, cinema, etc., são realmente críticos, aqui o que mais tem na televisão e no rádio são programas de debate, com críticos e convidados, e o pau come mesmo na frente do convidado que veio tentar vender seu disco/livro/filme/whatever. E isso em qualquer canal, em qualquer horário. Não é aquela conversinha merchã puxa-saco de Jossuares.
Não esou dizendo que não exista o otimismo e o entusiasmo oco na França, nem que não exista gente rigorosa e crítica no Brasil. Só estou dando uma opinião subjetiva do que eu vivi.
Os franceses são muito duros, com eles próprios e com os outros. Para o bem e para o mal. E no final das contas, como o caro Hugh, I rather like that. Apesar de sentir muita falta do calor humano, da flexibilidade e do carinho fácil que se vêem muito mais no Brasil...
No comments:
Post a Comment